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segunda-feira, 30 de junho de 2014

Copa do Mundo 2014: Quase todo mundo torce por nós

Copa do Mundo de 2014
(Foto: RioTur | Ascom via Flickr)

Esta é a primeira vez que assisto à Copa do Mundo fora do Brasil. Justamente quando a Copa é sediada por nós. Estou morando no Canadá e resolvi não ir ao Brasil para a Copa. Achei demais pagar um absurdo em passagens para viajar para um lugar que é minha casa. Não tem sido fácil. Sinto falta da energia. Brasileiros têm um jeito especial de celebrar.


Assistir às partidas em pubs em Vancouver com outros brasileiros tem sido uma experiência divertida, até para quem não é do Brasil. Nossa política é "torça por nós", o que tem sido moleza por aqui. Quando saio para ver os jogos vestindo as cores da bandeira, as pessoas me param nas ruas. Estrangeiros querem demonstrar o amor que têm pelo Brasil.

Na segunda passada, o segurança paquistanês de um centro cultural se aproximou de mim e outros amigos brasileiros para contar como seu povo adora futebol. Repetiu várias vezes que paquistaneses torcem pelo Brasil nesta Copa do Mundo. Neste sábado, quando o Brasil jogou contra o Chile, o motorista de ônibus afegão, vendo que eu vestia uma jaqueta verde e amarela, perguntou se eu estava indo assistir à partida. Quando confirmei, ele sorriu e desejou boa sorte.

O Chile não nos deixou jogar. Neymar foi bem marcado, às vezes por até três chilenos. Os gols não saíram. Meu coração acelerou (e só voltou ao normal hoje pela manhã). Não senti minhas pernas. Respirei com dificuldade. Acho até que minha pressão subiu. Então, infelizmente, não me surpreendi quando soube que um homem morreu de infarto enquanto assistia ao jogo. O Brasil não podia dizer adeus tão cedo.

Quando o Chile quase fez o segundo gol, dei um grito. Um rapaz, que passava, sorriu. Senti seu apoio, mas espere: ele vestia uma camiseta oficial da seleção, mas não parecia brasileiro. Perguntei de onde era. "Sou canadense, mas torço pelo Brasil. Adoro os brasileiros." Pelo resto do jogo, esse rapaz, no país que respira hóquei, estava lá torcendo como qualquer um de nós.

Qualquer pessoa que eu tenha conhecido em minhas andanças pelo mundo entende mais o Brasil do que a imprensa estrangeira, o que chega a ser ridículo. Como jornalista, estou cansada de ler artigos cheios de estereótipos sobre o Brasil e meu povo (leia meu post anterior sobre o que a mídia canadense andou publicando sobre o Brasil). É possível sim escrever algo melhor.

Provavelmente, sempre foi assim, mas percebi só agora por morar fora e ler diariamente notícias em inglês. Entretanto, o artigo do setorista de futebol do jornal britânico The Telegraph, Jason Burt, me encheu de orgulho. A percepção dele sobre o Brasil e o peso que a atuação do Júlio Cesar teve merece nota. Está claro que ele, sim, fez a lição de casa. Vale a pena ler.

Agora, enfrentamos a Colômbia, que passou facilmente pelo Uruguai e tem o incrível James Rodriguez, enquanto nós sofremos para ganhar do Chile. Nesta sexta, será Neymar x James. Quem ficará na competição? Neymar, desencante, por favor. Vai, Brasil!

OBS: post originalmente publicado em meu blog em inglês That's All About.

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