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domingo, 18 de maio de 2014

Faculdade no exterior: o choque cultural

Vancouver, Canadá
Foto: Ted McGrath via Flickr
Quando vim para o Canadá, matriculada numa faculdade de redação profissional, pensei que conseguiria manter meu blog atualizado com mais frequência. Subestimei a rotina de estudos no exterior.

O ritmo foi mais intenso do que meus estudos no Brasil. O idioma pode ter sido um fator, mas nem de longe foi o principal. Já vim com o nível de inglês exigido pelo programa, um dos critérios para receber a oferta de vaga.

Creio que pesou uma somatória de fatores, entre os quais aulas ministradas no esquema de palestra; carga horária (algumas matérias eram dadas em duas aulas semanais de duas horas e outras em uma aula semanal de três horas); e quantidade de homework (a famosa lição de casa).

Pensei que não daria conta. Era muito material para "desvendar sozinha". Achei que a quantidade estava além da minha capacidade. Perguntei a um professor se essa sensação se devia ao idioma.

"Não. Você acha que os outros alunos lêem tudo?" perguntou.
"Não leem?"
"Eles dão uma olhada geral. Você precisa aprender umas técnicas de leitura."

O professor se referia a skimming e scanning, duas técnicas de leitura rápida (falarei disso em outro post). Confesso que, à época, não entendi bem como colocá-las em prática. Eu achava que deveria ler tudo se quisesse, de fato, aprender.

Meu primeiro semestre (o semestre de estudo aqui compreende quatro meses e não seis) foi difícil por vários motivos:

  • tive dificuldades para fazer amigos em classe (eu sentia que a maioria não confiava na minha capacidade de estudar em outra língua)
  • enfrentei barreiras para trabalhos em grupo (raramente tínhamos prova. Em contrapartida, tínhamos vários projetos para clientes reais ou quase)
  • senti pressão para dar conta de tudo
  • sofri bullying de um professor, que escrevia comentários do tipo "você não sabe escrever em inglês" e "você tem problema com sua escrita" e "você precisa de ajuda" (minha pior nota era B)
Em razão de eu estar no exterior, distante da família e dos amigos, essa experiência me afetou terrivelmente. Antes do fim do semestre, conversei com a ccoordenadora do curso, também minha professora.

"Se eu não tiver talento para escrita em inglês, preciso saber. Não quero jogar dinheiro fora."
"Você não tem problema algum, Glauce. Vou cuidar desse assunto. Se eu precisar, volto a falar com você."

Ela não voltou. O tal professor piorava minha nota a cada trabalho, mas o semestre estava quase no fim. Hoje, olho pra trás e vejo que fui imatura na forma como tratei o assunto. Confrontei primeiro, pedi ajuda depois.

O que aconteceu poderia ter acontecido em qualquer lugar, inclusive no Brasil. Mas fora, o peso é outro. Por meses, esse professor abalou minha autoconfiança. Quem me conhece sabe que isso é difícil.

Ainda bem que não desisti, como cheguei a cogitar. Em meu segundo e terceiro semestres, vivi experiências enriquecedoras. Escrevi o Manual for International Students que, no ano passado, me fez merecer o prêmio de uma associação profissional. Também fiz estágio na Fundação David Suzuki, conhecida no Canadá e Estados Unidos.

Como as coisas fluíram a partir daquele momento será o tema do próximo post.

2 comentários:

  1. Glauce, eu encontrei seu blog procurando sobre carreira de jornalismo fora do Brasil.
    No momento eu moro nos Estados Unidos, tenho 19 anos e vim estudar inglês. Vim aprender inglês, quando cheguei aqui não sabia nada. De fato, não voltarei pro Brasil fluente na língua, mas pretendo continuar estudando. Meu sonho é me formar em Jornalismo e eu não não tenho condições de me manter aqui por mais de um ano, por isso retornarei ao Brasil para fazer a minha faculdade, mas gostaria muito de voltar a estudar no exterior depois de me formar, assim como entendi sobre sua vida.
    Seu blog tem me inspirado e estou colhendo boas dicas e informações, mas gostaria de saber mesmo se para trabalhar como jornalista fora do Brasil, você precisou validar o seu curso. Teria como sanar minha dúvida?

    Agradeço desde já!
    Mayumi

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    1. Mayumi, me perdoe pela demora absurda em te responder. Eu não tenho atualizado este blog e, por isso, sua mensagem caiu no spam.

      Vamos lá: você teria que checar no país pra onde você quer ir, se é exigida a validação do diploma pra poder trabalhar. Em uns países, a profissão de jornalismo é regulamentada; em outros, não é. Então, você teria que checar.

      Também é importante você pesquisar as nomenclaturas usadas no país pra onde você quer ir. No Canadá, por exemplo, um jornalista que sai de redação para trabalhar em empresa passa a ser um relações públicas, deixando de se autoidentificar como jornalista. Então, você deve levar tudo isso em conta para saber se vale a pena validar o diploma.

      Por último, sugiro você pesquisar a definação dos termos "validar" e "fazer equivalência". É importante você entender isso para saber exatamente o que fazer com seu diploma, dependendo do país em que estiver.

      Espero ter ajudado e, mais uma vez, desculpe a demora.

      Um abraço e boa sorte :)

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