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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Um ano e meio no caldeirão cultural de Vancouver

English Bay: uma das áreas mais bonitas de Vancouver
(Foto: Glauce Fleury)
Um ano e meio morando no Canadá.

Muitos me perguntam por que eu nunca criei um blog específico sobre minha experiência morando aqui. Um dos motivos é minha absoluta falta de tempo para responder a tantas perguntas que viriam de pessoas interessadas em vir pra cá.

Quando criamos um blog, temos de estar disponíveis para ler as mensagens e respondê-las. O respeito ao leitor é fundamental, afinal é essa pessoa do outro lado da tela (do mundo, talvez) que mantém essa chama acesa. Quem não quer atrair leitores, escreve num diário de papel e tranca com cadeado (como na infância).

Essa ideia, no entanto, de escrever sobre minha vida aqui não está rejeitada. Preciso organizar meu tempo, minha vida e escolher temas sobre os quais escrever. Adoraria, por exemplo, contar sobre lugares que visitei sem tornar este espaço um blog de turismo.

Meu maior interesse é escrever sobre pessoas. Pessoas, por si só, são diferentes. E canadenses certamente são muito diferentes de brasileiros. Mas há muitas diferenças inclusive entre canadenses: tem o nascido e tem o criado aqui, tem o que ganhou cidadania por questões diversas, tem o imigrante que "virou" canadense no papel, tem o canadense de pais (avós ou bisavós) canadenses, tem o de pais imigrantes...

Cada tipo traz suas próprias características. E, dependendo da origem (o famoso background) e da mistura que se carrega no sangue, esses traços podem ser mais ou menos acentuados em relação ao que nós, brasileiros, valorizamos, detestamos ou nem ligamos.

Brasileiros têm um jeito muito peculiar. Tenho confirmado isso dia após dia. Às vezes, penso que nós abraçamos demais, beijamos demais, reclamamos demais, amamos demais, odiamos demais e comparamos. Muito. O tempo todo. Somos o exagero em pessoa. E ainda fazemos piada sobre as novelas mexicanas.

Outras vezes, considero que estrangeiros—exceção aos latinos—esquecem o quanto é importante dar um abraço ou um beijo; demonstrar sentimento, seja bom, seja ruim (ao menos o outro saberá o que se passa na cabeça deles); reclamar quando algo não funciona (eles nem sempre lembram que têm direitos) e comparar. Sem julgar.

Quando comparamos, sem julgamento, entendemos o que funciona melhor em outro lugar e batalhamos para melhorar o lugar onde estamos. Quando comparamos, entendemos que o outro pode estar certo e nós, errados. Quando comparamos, refletimos.

Eu comparo brasileiros/Brasil a outros povos/países. Não para bater no peito que nós, brasileiros, somos melhores, mas para entender porque somos como somos, porque outros são como são e o que podemos "emprestar" do outro para nos tornarmos mais eficientes. Faz sentido pra você?

2 comentários:

  1. Saudades de suas postagens Glauce, fico felicíssima por saber que está tudo bem com você por aí, não se esqueça de postar de vez em quando, ( quando tiver tempinho), calculo que sua rotina não deve estar nada fácil...Um super abraço de uma leitora que se considera uma 'amiga' , acompanho e sempre acompanharei sua trajetória enquanto me for permitido.


    Tudo que há de melhor,

    Larissa

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    1. Oi, Larissa

      Poxa, que bacana. Muito obrigada. Que legal saber que eu tenho leitores tao fieis. Saiba que fico triste de nao conseguir atualizar este blog. Criei um aqui pra praticar o ingles, mas tampouco consigo. A rotina da faculdade me deixou esgotada. Acabo postando mais coisas nesse outro blog, caso queira acompanhar: http://thatisallabout.wordpress.com. Em breve, minha rotina vai dar uma desacelerada. Entao, vou tentar voltar a atualizar o blog em portugues ao mesmo uma vez por semana!
      Mais uma vez, muito obrigada pelo carinho. Sua mensagem me deixou imensamente feliz!

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