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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Encantada por conhecer Khaled Hosseini

A profundidade de Khaled Hosseini grita quando ele começa a falar, mas ele é gente como
Novo livro, O Silêncio das
Montanhas, autografado
a gente. O escritor afegão exercia a medicina quando provou ao mundo sua competência como contador de histórias. Ele não teve medo de mudar. Esse é um dos motivos pelos quais eu me senti feliz de conhecê-lo.


Hosseini escreveu dois livros de sucesso, O Caçador de Pipas e A Cidade do Sol. Eu e centenas de outros fãs testemunhamos as qualidades do autor in loco no início de dezembro, em uma noite especial do evento The Vancouver Writers Fest, onde ele lançou seu livro mais recente, O Silêncio das Montanhas.

A memória de Hosseini é tão surpreendente quanto sua capacidade de contar histórias. Ele e sua família saíram de Kabul em 1976 e se mudaram para Paris (em inglês) devido à carreira diplomática do pai. Por conta da invasão soviética no Afeganistão, acabaram não voltando em 1980 conforme planejavam; buscaram asilo nos Estados Unidos.

Mesmo longe do país por mais de 20 anos, o escritor se lembrou de detalhes suficientes para criar O Caçador de Pipas. “Escrevi as primeiras 100 páginas baseando-me apenas nas minhas lembranças de Kabul”, conta.
"Me sinto privilegiado de ter vivido aquela era."
Enquanto vivia no Afeganistão, Hosseini foi exposto à extrema pobreza de seu país, ainda que a vida dura não tenha sido parte de sua rotina dentro de casa. “A ideia de classes sempre influenciou minha escrita”, afirma. Se você leu O Caçador de Pipas, certamente a frase faz sentido. Você provavelmente se lembra da enorme distância social entre Amir e Hassan, o garoto rico e o filho do empregado de seu pai (em inglês), os protagonistas.

“Eu lembro como era ser criança em Kabul”, diz Hosseini, referindo-se ao processo de composição do livro. Suas obras geralmente mostram personagens afegãos e a cidade onde ele nasceu, então a pesquisa que ele fez para escrever O Caçador de Pipas se baseou mais no presente do que no passado. Para este livro, o autor pesquisou como era viver em Kabul durante o regime imposto pelo Talebã.
"Eu não estava apenas fazendo pesquisa para o livro, mas educando a mim mesmo."
Hosseini escreveu O Caçador de Pipas em pouco mais de um ano, enquanto ainda trabalhava como médico. Na verdade, o manuscrito já existia na forma de conto e estava abandonado em sua garagem. Foi quando sua esposa encontrou o texto, leu, disse a ele que era muito bom, mas que deveria ser um romance. “Eu comecei a pensar em como expandir a história”, conta.

O nome do livro se refere a suas lembranças de infância. “Uma das principais imagens é empinar pipas”, afirma. Para ele, essa imagem está associada à paz que, um dia, reinou no Afeganistão.

Quem segue a carreira de Hosseini talvez não acredite que 28 agências rejeitaram seu livro, quando ele procurava um agente para representá-lo na busca por uma editora que publicasse a obra. Apenas duas manifestaram interesse. O que será que aquelas 28 agências pensaram, quando o livro entrou pra lista dos mais vendidos?

Minha lição daquela noite fria de dezembro ouvindo a um grande escritor, mas sobretudo, um homem inteligente, é a seguinte: se você tem um sonho, lute por ele. Hosseini começou a escrever ainda adolescente. Ele diz que faz nove anos que deixou a medicina para ser escritor em tempo integral, mas não sente falta de ser médico. Não sente porque sua paixão é escrever. Então, termino este post com uma citação de O Caçador de Pipas:
"Mas é melhor uma verdade que dói do que uma mentira que conforta."
Para mais informações sobre os livros e a carreira de Khaled Hosseini, veja seu site oficial: http://khaledhosseini.com (em inglês).

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